segunda-feira, 5 de outubro de 2026

ITABUNA. ACADEMIA GRAPIÚNA DE ARTES E LETRAS - AGRAL - ATRAVESSA CAMINHOS E LEVA LITERATURA, MEMÓRIA E CINEMA À ZONA RURAL

                                

 Escola Municipal Conjunto Cachoeira (Zona Rural de Itabuna-Bahia).

 

Da infância à velhice, Academia ampliará sua presença cultural ao aproximar diferentes gerações da obra e do legado de Adonias Filho


 Muitas instituições guardam a memória. E algumas, além de guardá-la, fazem com que ela caminhe.
Uma Academia de Letras não deve existir apenas entre livros, solenidades e encontros de seus membros. Sua presença ganha maior sentido quando a palavra que preserva ultrapassa seus próprios espaços, percorre caminhos, alcança novos territórios e chega às pessoas.
 É com essa compreensão que a Academia Grapiúna de Artes e Letras- AGRAL chegará, no dia 14 de outubro de 2026, à Escola Municipal Conjunto Cachoeira, situada na zona rural de Itabuna, levando a Exposição Itinerante Adonias Filho e o curta-metragem ADONIAS.
 A programação será realizada nos períodos matutino e noturno e reunirá um público especialmente significativo: da infância à velhice, diferentes gerações serão convidadas a um encontro com a literatura, a memória, a história regional e o cinema.
 A iniciativa nasceu de um convite de Jeane Pereira, professora responsável pela Escola Municipal Conjunto Cachoeira, e de Elisangela Alves, coordenadora pedagógica, depois que a equipe escolar tomou conhecimento dos trabalhos desenvolvidos em torno da vida e da obra de Adonias Filho.
 No dia 1º de outubro, representantes da AGRAL estiveram na unidade escolar para conhecer de perto sua realidade, dialogar com educadores e construir conjuntamente os caminhos para a realização da programação.


DA ESCOLA À COMUNIDADE RURAL


 A chegada à Fazenda Cachoeira, onde está inserida a unidade escolar, foi marcada também pela acolhida de seus proprietários, João Eudo Silva e Sidnei Leite Carvalho Silva, que receberam a AGRAL e se somaram à construção desse encontro cultural.
 A participação dos proprietários terá continuidade na mobilização para o dia 14 de outubro, quando partilharão o convite com moradores da comunidade rural circunvizinha, contribuindo para que a programação ultrapasse os limites da escola e alcance também famílias e pessoas que vivem no entorno.
 Essa aproximação confere à iniciativa uma dimensão ainda mais significativa: Academia, escola e comunidade rural passam a compartilhar a construção de um mesmo encontro, fazendo da cultura um elemento de aproximação entre pessoas, gerações e territórios.
 E é justamente nessa travessia que a iniciativa encontra uma de suas dimensões mais importantes.
 Uma Academia de Letras também precisa ir. Precisa chegar. Precisa ouvir. Precisa compartilhar.
 Precisa alcançar a escola que está distante dos centros culturais; conversar com a criança que começa a descobrir o universo das palavras; encontrar o jovem que constrói suas referências; dialogar com homens e mulheres que conciliam estudo, trabalho e vida; e sentar-se diante do idoso que carrega consigo histórias, lembranças e saberes que talvez nunca tenham sido escritos, mas que também constituem a memória de um povo.
 A Escola Municipal Conjunto Cachoeira atende aproximadamente 70 estudantes no período matutino, distribuídos em duas turmas multisseriadas, e mantém, no período noturno, uma turma da Educação de Jovens, Adultos e Idosos- EJAI, com 31 estudantes.
 Essa diversidade fará da programação um encontro entre diferentes tempos da vida, unidos pela experiência da cultura.


ADONIAS FILHO: PALAVRA, MEMÓRIA E IMAGEM


 A Exposição Itinerante Adonias Filho, com pesquisa e curadoria de Josanne Morais, Presidente da AGRAL e ocupante da Cadeira nº 30, e Luiz Cláudio Zumaêta Costa, membro efetivo e ocupante da Cadeira nº 28, apresentará aspectos da trajetória, da produção literária e do legado cultural de Adonias Filho, estabelecendo aproximações entre literatura, história, identidade e memória regional.
 Ao lado da exposição, o público assistirá ao curta-metragem ADONIAS, produção da ABS Filmes, com direção de Vitor Augusto Xavier. Por meio da linguagem cinematográfica, o filme apresenta uma leitura sensível da trajetória e do universo do escritor, fazendo com que palavra e imagem se encontrem na construção de novas possibilidades de aproximação com sua memória.
 A experiência, entretanto, não se limitará à visitação da exposição ou à exibição cinematográfica.
 A programação contará com a assessoria pedagógica de Bela Dias, que contribuirá para aproximar os conteúdos dos diferentes públicos, considerando as especificidades das crianças, jovens, adultos e idosos participantes.
 Josanne Morais, pela AGRAL e pela curadoria da exposição, e Vitor Augusto Xavier, diretor do filme e representante da ABS Filmes, também estarão à frente de momentos de diálogo com o público, compartilhando aspectos da construção dos trabalhos, da trajetória de Adonias Filho e das relações possíveis entre literatura, memória, território e cinema.
A proposta é favorecer perguntas, escuta e troca de experiências, permitindo que a memória de Adonias Filho dialogue também com as histórias, os saberes e os olhares daqueles que vivem naquele território.


UMA ACADEMIA QUE TAMBÉM VAI AO ENCONTRO DAS PESSOAS


 Ao aceitar o convite da escola e seguir para a zona rural, a AGRAL reafirma uma concepção de Academia que não se encerra em si mesma.
 Preservar livros, autores e memórias é parte de sua missão. Mas tão importante quanto preservar é fazer circular.
 É permitir que aquilo que se encontra nos livros atravesse estradas. Que aquilo que se guarda nos acervos encontre novos olhares. Que aquilo que pertence à memória cultural de uma região possa chegar também àqueles que, por razões geográficas, sociais ou geracionais, nem sempre estão próximos dos espaços onde tradicionalmente acontecem as atividades culturais.
 Nesse sentido, chegar à zona rural ultrapassa a ideia de um simples deslocamento geográfico.
 É reconhecer que a cultura não deve apenas esperar que as pessoas venham até ela. Ela também precisa seguir ao encontro das pessoas.
 E, nesse percurso, cada parceria importa. A escola que abre suas portas, os educadores que constroem possibilidades, os proprietários da Fazenda Cachoeira que acolhem a iniciativa e ajudam a fazê-la chegar aos moradores do entorno, a mediação pedagógica, a Academia e o audiovisual passam a compor uma rede em torno de um propósito comum: aproximar cultura e pessoas.
 Quando uma Academia faz esse movimento, encurta distâncias não apenas entre lugares, mas entre a palavra e o leitor, a memória e as novas gerações, o patrimônio cultural e aqueles a quem ele pertence.
 No dia 14 de outubro, quando a exposição e o filme chegarem à Escola Municipal Conjunto Cachoeira, estarão diante de crianças que começam a construir suas primeiras referências, de jovens que descobrem novos horizontes, de adultos que retomam ou prosseguem seus percursos educativos e de idosos que carregam consigo uma vida inteira de experiências.
 E estarão, também, diante de uma comunidade rural convidada a aproximar-se, participar, olhar, perguntar, recordar e compartilhar.
Será, portanto, um encontro de gerações.
 Um encontro entre aquilo que foi escrito e aquilo que ainda será contado. Entre a memória preservada e a memória vivida. Entre a Academia, a escola e a comunidade.
 Porque uma Academia que preserva a memória também precisa encontrar aqueles que fazem a memória existir.
 E talvez esteja justamente aí uma das mais belas dimensões de sua presença social: não esperar que todos cheguem até ela, mas também percorrer caminhos para chegar a todos.



  Josanne Francisca Morais Bezerra 

Presidente da Academia Grapiúna de Artes e Letras - AGRAL