Academia Grapiúna de Artes e Letras - AGRAL
Brunna Lohana, Malena Dória e
Ademilton Batista serão os convidados de mais uma edição do Ciclo de Palestras
da Academia Grapiúna de Artes e Letras
Há encontros em que a arte se apresenta diante de nós. E há aqueles em
que ela nos atravessa, provoca perguntas, desperta memórias e nos convida a
olhar, com maior profundidade, para nós mesmos e para o outro.
É com esse espírito que a Academia
Grapiúna de Artes e Letras - AGRAL realizará, no dia 9 de setembro de 2026, às 19 horas,
mais uma edição de seu Ciclo de
Palestras, reunindo três expressivas trajetórias das artes e da
cultura: Brunna Lohana, Malena Dória e
Ademilton Batista.
O encontro acontecerá no Salão
de Eventos da Loja Maçônica 28 de Julho, em Itabuna, e terá
como centro a palestra “Teatro: A
linguagem da presença, da expressão e do autoconhecimento”, que
será proferida pela atriz, teatróloga, poeta e arte-educadora Brunna Lohana.
Natural de Itabuna, Brunna construiu, desde a infância, uma relação
profunda com diferentes linguagens artísticas. Atriz da Companhia de Artes
Cênicas Teatro & Fantasia, professora de teatro infantojuvenil e
arte-educadora da FICC, transita pelo teatro, pela poesia, pela escrita e pelas
artes visuais. Em sua trajetória, deu vida a personagens de universos diversos,
do teatro infantil à dramaturgia voltada ao público adulto, e integrou também a
realização do filme “Adonias”,
dirigido pelo cineasta Vitor Augusto Xavier, no qual interpretou Rosita, esposa
de Adonias Filho, além de atuar na direção de arte, produção e preparação de
elenco.
Mais do que abordar o teatro como linguagem artística, sua palestra
propõe uma aproximação com aquilo que constitui a essência da experiência
cênica: o corpo, a voz, a presença, a
expressão e a possibilidade de, pela arte, conhecer um pouco mais de si e do
humano.
No teatro, o corpo não é apenas instrumento de representação: é
território de memória, emoção, identidade e comunicação. Antes mesmo que a
palavra seja pronunciada, o gesto já anuncia sentidos; o olhar estabelece
relações; a postura revela estados interiores; o silêncio comunica aquilo que,
muitas vezes, a linguagem verbal não consegue alcançar. Estar em cena é, antes de tudo, estar presente
- inteiro diante de si, do outro e do instante que se constrói.
A voz, por sua vez, ultrapassa o simples ato de dizer um texto. Ela
carrega intenção, ritmo, emoção, história e singularidade. Entre a palavra
pronunciada e o silêncio que a acompanha, o teatro cria um espaço no qual
aquilo que sentimos pode ganhar forma e aquilo que permanece oculto pode,
delicadamente, encontrar expressão.
É justamente nesse encontro entre corpo, voz, emoção, pensamento e
presença que o teatro pode tornar-se também uma experiência de autoconhecimento. Ao interpretar, o
sujeito não apenas experimenta ser outro; é também provocado a reconhecer
dimensões de si mesmo. Ao entrar em contato com diferentes personagens,
conflitos, afetos, fragilidades, desejos e maneiras de existir, amplia sua
percepção sobre a complexidade da condição humana.
Há, portanto, um movimento particularmente profundo na experiência
teatral: para alcançar o outro, muitas
vezes é necessário atravessar a si mesmo. O intérprete empresta
seu corpo, sua voz e sua sensibilidade a uma personagem, mas, nesse processo,
também encontra perguntas que lhe pertencem: Quem sou? Como me expresso? O que
meu corpo comunica antes de minhas palavras? Como reconheço minhas emoções? De
que maneira percebo e acolho aquele que é diferente de mim?
É nessa perspectiva que o teatro ultrapassa os limites da representação e
se aproxima da formação humana. Ele exercita a escuta, a atenção, a imaginação,
a sensibilidade e a capacidade de perceber diferentes pontos de vista. Ao
permitir que alguém, ainda que simbolicamente, experimente outras histórias e
outras formas de existir, a arte cênica pode ampliar a compreensão de si e,
simultaneamente, aprofundar a percepção do outro.
E talvez esteja aí uma de suas mais belas potências: o teatro nos convida a sair de nós mesmos para que
possamos, paradoxalmente, retornar a nós com um olhar diferente.
Assim, falar de teatro como linguagem da presença, da expressão e do
autoconhecimento é falar de uma arte que não acontece apenas diante dos olhos.
Acontece também no interior de quem representa e de quem assiste. Porque,
quando a experiência cênica verdadeiramente nos alcança, não vemos somente personagens e histórias:
encontramos, por meio delas, fragmentos daquilo que somos, daquilo que sentimos
e, algumas vezes, daquilo que ainda estamos aprendendo a compreender em nós
mesmos.
Ao longo da palestra, a palavra
encontrará o gesto e a reflexão ganhará corpo por meio de uma
performance cênica de Brunna Lohana e
Malena Dória.
Não se tratará apenas de ilustrar aquilo que estiver sendo apresentado
conceitualmente. A intervenção cênica permitirá que algumas das questões
suscitadas pela palestra sejam também experimentadas pela linguagem do corpo,
da voz, do movimento, da pausa, do olhar e da presença. Se a palavra pode
explicar determinados aspectos do teatro, a cena possui outra forma de dizer:
comunica pelo sensível, pelo instante e por aquilo que acontece no encontro
vivo entre intérprete e público.
Nesse diálogo entre pensamento e representação, Brunna e Malena aproximarão duas trajetórias e
diferentes tempos de experiência artística, evidenciando também
uma das mais belas características do teatro: sua capacidade de promover
encontros entre gerações, repertórios, sensibilidades e maneiras distintas de
compreender e vivenciar a arte.
Com mais de quatro décadas dedicadas às artes cênicas, Malena Dória traz para esse encontro
uma trajetória construída entre interpretação, direção, produção cultural e
arte-educação. Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz -
UESC, participou de dezenas de espetáculos e esteve à frente de importantes
montagens, entre elas A Paixão de Cristo e Marinete de Tieta.
Sua experiência artística alcançou também outros países: com o espetáculo Sou
Eu, levou o teatro brasileiro à Suécia, realizando apresentações em
espaços da Universidade de Uppsala.
Sua presença representa, assim, não apenas a experiência de quem fez do
teatro uma escolha profissional, mas a maturidade de quem compreendeu a cena
também como espaço de educação, encontro, identidade cultural e formação
humana. São mais de quarenta anos em que interpretar, dirigir, produzir e
ensinar se entrelaçam numa mesma compreensão da arte: a de que o conhecimento adquirido no teatro ganha
ainda maior sentido quando pode ser compartilhado e transmitido às novas
gerações.
A noite reservará, ainda, um momento especial com o escritor, poeta, ator
e comunicador Ademilton Batista,
que acrescentará ao encontro um sensível toque
de reflexão.
Sua participação estabelecerá uma ponte entre a experiência teatral e a
palavra literária. Em uma noite dedicada à presença, à expressão e ao
autoconhecimento, sua intervenção convidará o público a acolher aquilo que a
arte pode deixar quando encontra a interioridade humana. Será um momento em que
teatro, literatura, poesia e reflexão poderão aproximar-se, lembrando que as
diferentes linguagens artísticas, embora possuam formas próprias de expressão,
frequentemente se encontram no mesmo território: a tentativa humana de compreender a existência e
atribuir sentido à experiência de viver.
Há algo especialmente significativo nessa participação. Ademilton Batista
transita justamente por linguagens que fazem da palavra e da presença
instrumentos de comunicação: escreve, declama, interpreta, comunica. Sua
trajetória permite perceber que a palavra pode existir impressa na página,
pronunciada em um recital, transformada em personagem no cinema ou oferecida
diretamente a alguém como gesto de sensibilidade e acolhimento.
Natural de Salvador e radicado em Itabuna desde 1989, Ademilton construiu
uma trajetória que reúne literatura, poesia, comunicação, teatro e cinema.
Autor de Vencendo o Tempo, possui trabalhos reconhecidos em diferentes
países e foi três vezes nomeado Embaixador
da Palavra pela Fundación César Egido Serrano, de Madrid.
Idealizador do projeto “Poesia que
Cura”, leva a palavra poética a hospitais, creches, orfanatos e
abrigos, aproximando literatura, sensibilidade e cuidado humano.
No cinema, interpretou o escritor Adonias
Filho no filme “Adonias”, dirigido por Vitor Augusto
Xavier, além de integrar outras produções audiovisuais. É membro da Academia de
Letras de Itabuna - ALITA e da Academia Luso-Brasileira de Letras do Rio Grande
do Sul - ALBL.
Ao reunir essas três trajetórias, a AGRAL propõe uma noite em que experiência e juventude, palavra e silêncio, corpo e
pensamento, teatro e literatura possam dialogar.
Há, nesse encontro, também uma simbologia particularmente bonita. De um
lado, a energia criadora de Brunna
Lohana, uma jovem artista que transita entre diferentes
linguagens e encontra no teatro e na poesia formas de dizer o mundo. De outro,
a experiência de Malena Dória,
construída ao longo de mais de quatro décadas de dedicação às artes cênicas e à
formação de novos artistas. E, completando esse diálogo, a palavra de Ademilton Batista, atravessada pela
literatura, pela poesia, pela comunicação e pela interpretação.
Não se trata, portanto, apenas da reunião de três convidados em uma mesma
programação. Trata-se do encontro entre percursos,
gerações e linguagens artísticas que, por caminhos distintos, convergem para
uma mesma compreensão: a arte como possibilidade de expressão, conhecimento,
memória, comunicação e humanização.
Nesse sentido, a noite proposta pela AGRAL pretende ultrapassar os
limites de uma palestra convencional. O conhecimento estará na palavra
pronunciada, mas também no gesto; estará na experiência acumulada, mas também
na descoberta; estará na interpretação, no silêncio, na poesia, no corpo e na
relação estabelecida entre aqueles que oferecem sua arte e aqueles que se
dispõem a recebê-la.
Porque o teatro talvez comece quando alguém entra em cena, mas não termina quando as luzes se apagam.
Ele continua na memória de quem assistiu. Permanece na pergunta que
acompanha alguém de volta para casa, na emoção para a qual talvez ainda não
exista nome, na lembrança despertada inesperadamente, na identificação com uma
personagem ou simplesmente naquele breve instante em que alguém percebeu,
diante da experiência representada pelo outro, alguma coisa sobre a própria
existência.
Essa talvez seja uma das forças mais extraordinárias da arte teatral: o que acontece diante de nossos olhos pertence à
cena; aquilo que acontece dentro de nós já pertence à nossa própria história.
Por isso, o teatro é também encontro. Entre ator e espectador. Entre
palavra e silêncio. Entre realidade e imaginação. Entre aquilo que somos e
aquilo que, por alguns instantes, podemos experimentar ser. Quando a cena
verdadeiramente nos alcança, deixamos de ser apenas espectadores de uma
história alheia e passamos, de alguma maneira, a participar da experiência
humana que ela revela.
É também nessa dimensão que o Ciclo
de Palestras da AGRAL reafirma seu compromisso com a circulação
do conhecimento, com a valorização dos artistas e agentes culturais e com a
criação de espaços nos quais as artes, a literatura, a educação e a reflexão
possam encontrar-se.
Ao promover encontros dessa natureza, a Academia reafirma igualmente a
compreensão de que uma instituição
cultural não é apenas guardiã da memória: é também espaço vivo de criação,
diálogo, formação e circulação de ideias. Preservar o que foi
construído é fundamental; igualmente necessário é abrir caminhos para aquilo
que continua sendo criado, pensado, escrito, interpretado e compartilhado em
nosso tempo.
No dia 9 de setembro,
portanto, a AGRAL convida o público não apenas a assistir a uma palestra, mas a
participar de uma experiência de encontro com o teatro e com algumas das
questões que ele nos devolve desde sempre: quem somos quando representamos? O que revelamos quando nos
expressamos? O que descobrimos sobre nós mesmos quando, por alguns instantes,
nos permitimos olhar o mundo pelos olhos do outro?
Talvez não existam respostas definitivas.
E talvez resida justamente aí uma das maiores belezas da arte: ela nem sempre nos entrega respostas; muitas vezes,
oferece-nos perguntas melhores.
Serviço
Evento: Ciclo de Palestras da Academia
Grapiúna de Artes e Letras-AGRAL
Palestra: “Teatro: A linguagem da presença, da expressão e
do autoconhecimento”
Palestrante: Brunna Lohana
Performance cênica: Brunna Lohana e Malena Dória
Participação especial: Ademilton Batista
Data: 9 de setembro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 19 horas
Local: Salão de Eventos da Loja Maçônica 28 de Julho
Endereço: Rua Professor Alício de Queiroz, nº 585, Centro -
Itabuna, Bahia
Josanne Francisca Morais
Bezerra
Presidente da Academia
Grapiúna de Artes e Letras - AGRAL