quarta-feira, 29 de julho de 2026

ITABUNA. HOMENAGEM A EMIRON GOUVEIA DE DEUS - POR JOSANNE MORAIS BEZERRA - PRESIDENTE DA ACADEMIA GRAPIÚNA DE ARTES E LETRAS (AGRAL)

Morre Emiron Gouveia de Deus, referência do audiovisual e servidor da Uesc  – O Trombone  Emiron Gouveia de Deus

 

Para Emiron



Há amigos que não vão embora

Hoje, meu amigo,
a palavra custa a chegar.

Há notícias que atravessam a alma
e deixam o coração
sem saber o que dizer.

Porque não estávamos preparados
para falar de você no passado.
Não estávamos preparados
para esta ausência,
para este silêncio inesperado,
para esta quarta-feira
que chegou trazendo uma despedida.

E como se despede de um amigo?

Talvez não se despeça.

Talvez se guarde.

Guarde-se o sorriso,
a voz,
os encontros,
as conversas,
os pequenos gestos
que, quando aconteciam,
pareciam tão comuns
e que agora descobrimos
serem preciosidades.

Guarde-se a lembrança
de quem esteve presente.

De quem acreditou.

De quem, tantas vezes,
fez o possível
com aquilo que tinha nas mãos.

Eu me lembrarei de você, Emiron.

E me lembrarei, especialmente,
daquele começo,
quando o Cinema na Comunidade
ainda era sonho,
ideia procurando caminho,
esperança querendo acontecer.

Você estava lá.

Na primeira reunião.

E talvez você nunca tenha imaginado
que aquela presença
um dia seria lembrada assim:
como uma dessas delicadezas
que a memória recolhe
para que a morte não tenha
a última palavra.

Você apoiou o projeto
dentro das suas possibilidades.

E isso diz tanto...

Porque amizade também é isso:
estar presente
quando alguma coisa ainda é apenas sonho.

Hoje, diante de sua partida,
eu gostaria de encontrar
uma palavra maior que “obrigada”.

Uma palavra que pudesse carregar
a amizade,
o respeito,
a admiração
e esta tristeza imensa
de saber que alguns encontros
não voltarão a acontecer
da maneira como aconteceram um dia.

Mas talvez a vida
tenha seus próprios modos
de conservar aqueles que amamos.

Algumas pessoas ficam
nas fotografias.

Outras ficam nas histórias.

Algumas ficam nas obras
que ajudaram a construir.

E existem aquelas
que ficam dentro de nós.

Você ficará.

Ficará na Universidade
que recebeu tantos anos
do seu trabalho.

Ficará na comunicação.

Ficará no audiovisual.

Ficará nas imagens
que ajudou a tornar possíveis,
nos profissionais que ajudou a formar,
nos projetos aos quais estendeu a mão,
na memória de quem caminhou ao seu lado.

E ficará, meu amigo,
na minha lembrança.

Não como alguém
que simplesmente passou,

mas como alguém
que esteve.

E estar, verdadeiramente,
na vida de alguém
é uma das formas mais bonitas
de permanecer.

Hoje não quero dizer adeus.

Adeus parece definitivo demais
para quem deixou memória.

Prefiro dizer:

Obrigada, Emiron.

Obrigada pela amizade.
Obrigada pela presença.
Obrigada pelo apoio.
Obrigada pelos caminhos
em que nossas histórias se encontraram.

Siga em paz, meu amigo.

E se houver, para além daqui,
algum lugar onde as imagens
continuem contando histórias,
que haja luz.

Muita luz.

Daquelas que não servem apenas
para iluminar uma cena,

mas para iluminar a eternidade.

E, quando a saudade chegar -
porque ela chegará -,
eu procurarei você
naquilo que a morte
jamais poderá levar:

na memória.

Porque há amigos
que se despedem da vida,

mas nunca
do coração.

Para Emiron Gouveia de Deus,

com minha saudade, minha gratidão e meu afeto.

 

Josanne Francisca Morais Bezerra
29 de julho de 2026

 

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