Catedral de S. Sebastião (Ilhéus-BA)
Programação organizada pelo Programa Municipal de Controle da Tuberculose e Hanseníase reúne ações educativas, oficinas, atendimentos em áreas vulneráveis e capacitação
O mês de janeiro marca o Janeiro Roxo, período dedicado à conscientização sobre a hanseníase, e em Ilhéus a campanha ganha força com uma programação ampla e contínua, organizada pelo Programa Municipal de Controle da Tuberculose e Hanseníase da Prefeitura de Ilhéus por meio da Secretaria Municipal de Saúde. Em entrevista, a coordenadora do programa, Eliana Melo, destacou que o objetivo vai além de um mês específico: é promover informação, diagnóstico precoce, tratamento oportuno e, principalmente, o combate ao estigma e ao preconceito ainda associados à doença.
Segundo Eliana, apesar de a hanseníase ser uma doença antiga, com tratamento e cura disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela ainda representa um importante problema de saúde pública. “O preconceito persiste muito por falta de informação e também pelas deformidades físicas que podem ocorrer quando o diagnóstico é tardio. É justamente isso que queremos evitar”, explicou.
A coordenadora reforça que o município vem adotando a perspectiva de trabalhar a hanseníase “de janeiro a janeiro”, com ações permanentes, intensificadas neste mês simbólico. Entre os destaques da programação estão atividades voltadas a populações em maior situação de vulnerabilidade, como pessoas privadas de liberdade e comunidades indígenas.
O Projeto Espelho Meu, por exemplo, será realizado em dois momentos durante o Janeiro Roxo, com foco na detecção precoce de casos e na disseminação de informações sobre sinais e sintomas da doença. As ações acontecerão no Presídio Ariston Cardoso e na Aldeia Igalha, localizada no distrito de Olivença.
Na última semana de janeiro, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Estratégias de Saúde da Família (ESF) também estarão mobilizadas com atividades educativas e distribuição de panfletos durante consultas e visitas domiciliares, ampliando o alcance das informações junto à população.
Outro ponto importante da programação é a articulação com o meio acadêmico. No dia 27 de janeiro, será realizada uma oficina com estudantes do 6º período do curso de Medicina da UESC, abordando a hanseníase sob os aspectos epidemiológicos, clínicos e, principalmente, a avaliação neurológica simplificada. “Temos identificado muitos casos em estágios avançados da doença em Ilhéus, o que demonstra a necessidade de fortalecer a formação e a capacitação dos profissionais de saúde”, ressaltou Eliana.
A campanha também integra o cuidado com a saúde mental, dialogando com o Janeiro Branco. No dia 29 de janeiro, será realizada a oficina “Tocando a pele de quem sente na pele”, voltada aos pacientes do programa, com a participação de psicóloga e práticas integrativas, como aromaterapia, auriculoterapia e orientações de autocuidado, incluindo hidratação e lubrificação de mãos e pés. “A hanseníase afeta a autoestima e a capacidade funcional, impactando diretamente a saúde mental. Precisamos olhar para o paciente de forma integral”, pontuou.
A programação tem início no dia 20 de janeiro, com a participação da equipe da referência em um webinário sobre o cuidado da população indígena, e segue até o dia 30, quando as ações do Janeiro Roxo serão concluídas.
Por fim, a coordenadora reforçou informações essenciais sobre a doença. A hanseníase é causada por uma bactéria, transmitida principalmente pelas vias respiratórias, e afeta sobretudo a pele e os nervos periféricos. Os principais sinais são manchas na pele com alteração de sensibilidade — geralmente sem dor —, dormência, formigamento, fraqueza muscular, dor nos nervos e, em alguns casos, nódulos ou infiltrações na pele. O diagnóstico precoce evita deformidades e incapacidades físicas.
Em Ilhéus, o atendimento aos casos de hanseníase é realizado no Programa Municipal de Controle da Tuberculose e Hanseníase, que funciona no Centro de Atendimento Especializado – CAE III, no antigo SESP, localizado na Avenida Canavieiras, nº 253, no Centro. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h, sem fechar para o almoço. A Secretaria de Saúde também está em processo de descentralização do atendimento, para que futuramente todas as unidades básicas possam diagnosticar e tratar a doença.
“Informação é a principal ferramenta para combater o preconceito. Hanseníase tem cura, tem tratamento e quanto mais cedo for identificada, menores são as consequências para a vida das pessoas”, concluiu Eliana Melo.
Por ASCOM SESAU
por ASCOM SESAU
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